sexta-feira, 17 de abril de 2015

Uma breve visita ao Cimento da Bresser


"Refugiados Urbanos" pode parecer para alguém apenas uma expressão usada pelo vigário do Povo da Rua, Julio Lancellotti, mas é na verdade uma descrição precisa da situação de alguns Filhos de Deus esquecidos pelos irmãos.


Não fui desta vez visitar irmãos de rua para fazer um relato jornalístico, mas apenas como um irmão que visita outro irmão. Entretanto, achei que valeria a pena compartilhar o pouco do que foi registrado no blog.

O lugar é conhecido como "Cimento da Bresser", por ficar no bairro e perto de um depósito de cimento.

Fui nesta sexta-feira (17) com o padre Julio Lancellotti, vigário da Pastoral Povo da Rua, e com a Marta e o Ederson do Bompar (Centro Social Nossa Senhora do Bom Parto), os quais tive o prazer de conhecer hoje, visitar uma irmã de rua abrigada no local.

O vídeo abaixo mostra um panorama do acampamento na beira da Radial Leste:



Foto: Arthur Gandini/IP
Foto: Arthur Gandini/IP
A irmã está grávida de quatro meses. Ainda não fez um ultrassom, mas acredita que irá ter uma menina. Vive em um local, conforme a foto acima, arrumado com mais cuidado e carinho do que em muitas casas.

Há o risco, entretanto, segundo Julio Lancellotti, de a prefeitura derrubar o barraco e querer encaminhar ela e o companheiro com quem vive para algum hotel ou outro local. A Pastoral do Povo da Rua tem tentado evitar que coisas do gênero aconteçam.

O secretário municipal de Direitos Humanos, Eduardo Suplicy, já foi visitar o local pessoalmente assim como já fez com irmãos de rua pela cidade, mas as visitas não têm resultado em mudanças concretas.

Foto: Arthur Gandini/IP
Foto: Arthur Gandini/IP
Foto: Arthur Gandini/IP
Foto: Arthur Gandini/IP
Foto: Arthur Gandini/IP
O irmão da foto acima - que permitiu que a sua situação fosse registrada - passou por uma traqueostomia e está com problemas na vista. Precisa continuar recebendo auxílios médicos e será ajudado pela Pastoral do Povo da Rua nesta questão.

Um mutirão de limpeza, ainda a ser confirmado, irá ser feito pela pastoral no acampamento, que não tem recebido funcionários de limpeza da prefeitura.

Foto: Arthur Gandini/IP
A situação dos irmãos de rua mostra, como dito no subtítulo, que o termo "refugiados urbanos" não é uma mera expressão.

Os sem-teto sobrevivem a uma cidade que não lhes deixa espaço e não os acolhe. O Paulistana tem noticiado nos últimos dias como a GCM (Guarda Civil Metropolitana) e Polícia Militar têm, como acontece há anos, mas com maior intensidade, reprimido moradores de rua de locais e levado seus poucos pertences embora, como se fossem lixo.

O comentário de uma moradora do local, sobre o tratamento que todos costumam receber da prefeitura, chama a atenção:

— Gente que nasceu em berço de ouro vem aqui. Por que eles tem que pisar (na gente)?

Julio Lancellotti afirmou ter sido ofendido por secretário da subprefeitura da Mooca na última semana. Censo da Prefeitura que iria verificar a quantidade de moradores de rua em São Paulo deveria ter tido a primeira parte, quantitativa, divulgada no último dia 15.

Encomendado por R$ 1 milhão à Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), não há mais previsão de publicação. Chuvas recentes teriam feito com que irmãos de rua mudasse de lugar e atrapalhado os resultados.

Lancellotti fez críticas em sua página no Facebook ao adiamento, mas as coisas seguem como estão.

Veja mais fotos do Cimento da Bresser:

Foto: Arthur Gandini/IP
Foto: Arthur Gandini/IP
Leia aqui mais notícias sobre os irmãos de rua

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