segunda-feira, 30 de março de 2015

Os cristãos e a pobreza

Por que criar um blog voltado para a opção preferencial da Igreja pelos pobres, e mais do que isso, de Jesus Cristo pelos marginalizados na sociedade?

Texto publicado no jornal Folha de S.Paulo há alguns dias me faz pensar como o mundo e seus ideais mudaram desde os ensinamentos de caridade, de olhar para o próximo e questionar as estruturas de poder dados por Jesus Cristo - que influenciaram a formação moral das civilizações - até a sociedade de hoje.

O jornalista reflete sobre como não é ruim a existência da desigualdade social e como a inveja resultante na vontade de ter poder e posses é importante para movimentar a economia:

"Alguma disparidade, porém, pode ser positiva. Desde que os mais pobres tenham assegurada uma existência digna e sua situação esteja sempre melhorando, a desigualdade não é imoral e ainda funciona como um motor da economia e, portanto, da prosperidade. [...] É meio rude explicitá-lo, mas a palavra-chave aqui é 'inveja'. E esse é um sentimento complicado. Religiões tendem a condená-lo, mas, como acabamos de ver, ele também tem uma faceta positiva. "

A opção de Jesus pelos pobres, citada na passagem bíblica no topo do blog, é bastante clara, mas questionada em uma Igreja heterogênea em pensamentos desde seu começo quando até a Santíssima Trindade era colocada em dúvida.

Na nossa Igreja, possuímos desde quem acredita que os pobres devem existir para se praticar a caridade e ganhar a vida eterna até quem defende uma Teologia da Libertação, de aspecto anticapitalista (e logo é taxada de comunista, como se alguém pudesse ser cristão e comunista ao mesmo tempo).

Isso quando não falamos da calvinista (protestante) Teologia da Prosperidade, também presente na Igreja em redutos carismáticos, que nos convida a ter uma vida focada em orações e a acreditar em um Deus que nos garanta bens materiais.

O Papa Francisco, que escolheu seu nome em referência ao santo que dedicou a vida aos pobres, nos convida diariamente a olhar para os pobres e questionar o pensamento econômico dominante, capitalista, que exalta ideias como o egoísmo e a inveja defendida pelo jornalista e resultam no mundo desigual em que vivemos.

— Quando o dinheiro se torna um ídolo, ele comanda as escolhas do homem. E assim ele arruína o homem e o condena. Faz dele um escravo. O dinheiro a serviço da vida pode ser administrado de maneira certa por cooperativas, com a condição que se trate de uma cooperativa real, onde o capital não tem comando sobre os homens, mas sim os homens sobre o capital.

Em outra ocasião, o Papa ainda afirmou que o “espírito de competição desenfreada gera egoísmo e conflito”. Os tempos parecem estar bem diferentes do que Cristo talvez desejasse quando incentivada a partilha em meio a um Império Romano sustentado por mão de obra escrava.

Segundo o IBGE, um em cada quatro lares brasileiros convivia com a insegurança alimentar em 2013, o que dá cerca de 7,2% milhões de pessoas. No mundo, 1% da população acumula a mesma quantidade de dinheiro e bens do que a soma dos demais 99%.

Todos esses sintomas revelam que a sociedade vai contra a Jesus quando disse que "vocês não podem servir a Deus e às riquezas. (Mt 6,24)"

É o deus-dinheiro que talvez crie outra preocupações nas pessoas que as impeçam de ter amor e olhar para o próximo.

Lembro-me do final do passado quando levei um morador de rua da Avenida Paulista, aqui na capital, até a casa de triagem da Missão Belém. As pessoas que olharam com rosto de nojo, afastaram-se ou tamparam o nariz para fugir do odor (no transporte público) durante o trajeto que fiz com o mendigo do vão do Masp ao metrô Belém me fazem pensar: quantas dessas pessoas que fogem dos pobres são cristãs, católicas?

A motivação desse blog é contar histórias e refletir sobre uma Igreja pobre e para os pobres e motivar todos nós irmãos, filhos de Deus, a usarmos nossa consciência cristã tomada de Espírito Santo para olhar e ajudar as pessoas marginalizadas e seguir o que Jesus nos motivou em seu tempo: tentar construir um mundo melhor.

Que assim seja!
 
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